domingo, 14 de outubro de 2012

Common Denominator

Agatha era uma garota solitária, encontrava sua paz e tranqüilidade escrevendo, ouvindo musica ou até mesmo cozinhando.
Ela levava uma vida tranqüila na cidadezinha em que morava. Vivia na mesma casa que seus pais, Emily e Anthon.
Solitária porque, muitos se perguntam. Seu pai é um palestrante em faculdades de medicina, vive pulando de cidade em cidade em busca de trabalho. Ganha bem, mas quase não para em casa. Emily é uma estilista famosa em toda Europa, vive correndo atrás de seus desfiles pra sua griffe. Viaja pra todo o lado.
Agatha vive praticamente sozinha. Se perguntando porque é tão difícil fazer amigos reais. Seus amigos, por via de regra, são todos virtuais, ou anônimos. Mas ela convivia bem com isso. Era o que ela realmente gostava.
Um dia, estava sentada na frente da mesa do seu computador, naquela época, tinha treze anos. Foi quando sua mãe começou a lhe deixar sozinha em casa porque ela já estava bem grandinha e não precisava de nenhuma babá pra cuidar dela.
Ela pegou uma folha de papel qualquer, escrevendo as simples palavras:
‘’Estou aqui, escrevendo uma carta sem saber pra quem. Meu nome é A. W. H. Não vou revelar meu endereço, pois acho que isso realmente não convém a quem for ler isso. Mas eu moro aqui na Califórnia mesmo.
Seja lá quem receber isto, eu só quero fazer algum amigo, alguém que esteja disposto a me ouvir mesmo que por correspondência, e quem sabe, ter uma grande amizade um dia. Eu sei, talvez você vá ler isso, achar que eu sou uma garota completamente idiota e vá amassá-la e jogar no lixo. Tudo bem, eu vou te entender.
Espero ansiosa por uma resposta. Se ela vier, é um lucro!
Carinhosamente; A. W. H.’’
Ela saiu com a carta na mão, não tinha um destino certo pra ela, estava frio, muito frio. Ela vestia uma calça jeans com botas de chuva, emborrachadas. Chovera na noite anterior.
O que realmente acontecia, é que Agatha Wood Hughes era uma garota muito, muito solitária. Estudava em casa, pois na escola, por ser do tipo estudiosa, sofreu com o bulliyng. Ela realmente não tinha cabeça suficiente pra enxergar que o que ela fazia, era coisa de criança mesmo e que qualquer adulto que pegasse aquelas cartas, iria achar aquilo uma grande bobagem.
Mas apesar de tudo isso, ela pegou sua jaqueta pra enfrentar o frio e saiu pelas ruas desesperada, sem rumo total. Entrou em uma agencia dos correios local, colocou a carta sem remetente na caixa do correio, e saiu de lá direto pra casa.
O que aconteciam com cartas que não continham endereço?
Ela não sabia, mas as mesmas, naquela época, eram largadas em um colégio de internato ali na Califórnia mesmo, os alunos olhavam a mesma, pra saber se não era noticia dos parentes. Mas a carta, acidentalmente caiu na mão de um garoto.
Seus olhos firmes liam o papel, ele estava completamente sem reação, coçou a cabeça. Pensando se respondia ou não aquilo.
O garoto, pegou imediatamente um papel e correu com a carta pra biblioteca onde tinha acesso a internet. Pesquisou o endereço, mas o mesmo deu como o endereço de uma loja de roupas ali, na cidade dele mesmo.
Ele pegou um papel, escrevendo as seguintes palavras.
“Bom, meu nome eu prefiro não revelar, ainda não lhe conheço ainda. Eu tenho a mesma idade que você, acredita?
Como essa carta chegou até mim? Isso é estranho.
Você se sente sozinha? Porque? Garanto que não mais que eu. Te conto uma outra hora, estou atrasado, se não jantar agora, não vou jantar hoje.”
Ele rabiscou as ultimas palavras rapidamente e dobrou o papel, colocando dentro do envelope que tinha em suas mãos, junto com a carta da garota que ele não fazia idéia de quem seria.
O sinal pro jantar acabara de tocar naquele internato triste e sombrio em que ele vivia.
Sua mãe e seu pai passavam tanto tempo brigando, que a melhor solução era colocar o pobre garoto em um local onde ele não tivesse acesso a tantas discussões. Sim, todos concordariam que o divorcio era o menos prejudicial a ele, mas seus pais definitivamente não pensavam assim.
Ele jantou e correu pro seu quarto, ele dividia o quarto com mais outro garoto, mas isso não queria dizer que ambos se dessem bem um com o outro.
Ele pegou um envelope ao lado da caixa de correio antes de entrar pro quarto. Coincidentemente, a caixa de correio era no corredor do seu quarto.
Sentou-se apressado a cama e escreveu novamente o endereço que até então, vinha no envelope que ele achara. Colocando do outro lado, o endereço dele, junto com o numero do quarto. Em um outro pedaço de papel, escreveu.
“Não me pergunte pra que serve esses dois números, não por enquanto, apenas, não esqueça de escrevê-los no envelope, bem grande, antes de enviá-lo de volta. 57”
Ele escrevera as letras bem pequenas, o numero estava grande, tomando destaque no pequeno rasgo de papel que ele colocara dentro da carta que escreveu.
Colocou tudo no envelope que pegou e o envelope foi parar na caixa de correio.
Acontece que os dias passavam lentamente pra ele, que não recebia uma resposta. Mas passavam tão lentamente pra ela, que desistira de ter sua carta respondida.
Ela assistia televisão na sala, quando ouviu movimentação do seu pastor alemão latindo. Uma carta estava debaixo da porta. Acontece, que como o Atelier de sua mãe estava fechado, todas as cartas eram automaticamente direcionadas até sua casa. Ela leu atentamente cada palavras da letra desleixada que estava ali.
Capturou uma folha de seu caderno e deu inicio a uma nova carta.
“Meio difícil de acreditar que você tenha a mesma idade que eu.
Em uma passagem você disse ‘atrasado’ você é um menino?
Posso confiar a você meus segredos?”
Ela resolvera não contar o que passava com ela logo de cara. Ela apenas dobrou o pedaço de folha de caderno e correu novamente pros correios, colocando o mesmo em um envelope, colocando o endereço e bem grande o numero que ele pedia pra colocar ali.
Ele recebeu a carta no outro dia com muita empolgação. Leu atentamente tudo e fez questão de uma resposta mais ampla.
“Sim, eu sou um garoto. Espero que isso não lhe incomode.
Claro que você pode confiar em mim, porque não poderia? Eu não sei seu nome, nem seu endereço. E nem quero lhe fazer mal algum.
Vou lhe contar um pouco de mim, pra você ver que minha vida não é um conto de fadas.
Minha mãe e meu pai brigam constantemente, não sei porque não se separam logo. Acontece que essas brigas sempre me envolviam de algum modo, seja no assunto da briga, ou nas justificativas de cada um pra se safar do que estava rolando. Em uma tarde de chuva começaram a discutir sobre quem fazia os melhores bolinhos de chuva. Acho que foi a partir daí que eles perceberam que tudo era motivo pra briga quando eu estava em casa.
Acontece que um queria se mostrar melhor que o outro pra mim, e isso acontecia sempre. Foi então, que me mandaram pra um internato onde estou há um ano e meio sem falar com eles. Eles até me escrevem, mas eu não respondo suas cartas, minha magoa ainda é muito grande.
Ano que vem é meu ultimo ano aqui, finalmente. Mas eu acredito que eles vão me mandar pra um internato que tenha ensino médio. E eu vou continuar a viver preso.
E como eu ainda estou no fundamental, tenho ordens de não sair pro ‘mundo real’ e viver sempre trancado aqui. Quando a luz do dia que eu enxergo, é a do local onde praticamos educação física.
Espero que isso, mude seus conceitos sobre ser solitária.
Espero também que você não tenha medo de ser quem você realmente é, principalmente comigo.”
Ele selou a carta e enviou pra caixa dos correios.
A carta chegou dois dias depois na cara de Agatha. Seus olhos instantaneamente marejaram quando ela leu o drama dele, mesmo que contado rapidamente, em palavras simples mas dolorosas.
Ela não sabia o que dizer ao desconhecido.
“Fiquei sem palavras quando li sua carta. Comovente.
Comigo as coisas são um pouco diferentes, mas eu não vou levar muitas linhas pra contar. Meu pai e minha mãe vivem viajando, cada um pra um lado do mundo e eu fico sozinha em casa. E quando eu digo sozinha, é totalmente sozinha. Sem parentes, sem amigos. Só tenho meu cachorro, que digamos, não pode me ver que me ataca, ou seja, ele não é uma boa companhia.
A minha sorte é que quando finalmente a família se reúne, passamos ótimos momentos.
Espero poder ser uma boa amiga sua, hoje e sempre!”
Ela respondeu confiante de que sua resposta chegasse a ele e de certa forma o tranqüilizasse quanto a tudo que acontecia.
Ele leu e releu a carta milhões de vezes, ela leu a carta dele várias vezes também, com o choro trancado na garganta em todas elas.
O que aconteceu, foi que com o passar dos dias, as cartas foram diminuindo de freqüência, até que já faziam dois meses que eles não se falavam.
Aquele ano se passou pra ele, o garoto finalmente saiu do internato, mandando uma carta singela pra ela. Mesmo com a cabeça achando que ela não responderia, tanto tempo que não se falavam. Ele ainda nem sabia seu nome, nem ela o dele.
“Hey Sweet, hoje é meu ultimo dia aqui. Recebi esta semana uma novidade muito boa. Nunca mais verei internatos na minha vida, mas estou triste por ter que viver sozinho ainda.
As novidades boas, não são tão boas, confesso. Meus pais se separaram, triste com tudo minha mãe saiu sem rumo de carro, o mesmo se desgovernou e hoje eu estou sem ela. Não pude nem me despedir. Isso faz cerca de dois meses.
Que saudade eu senti das suas cartas, a gente já mal se comunicava. Né?
Ah, meu pai não me quer mais. Aliás, ele casou com uma outra mulher e foi viver com ela na Austrália.
O colégio atrasou, consegui uma bolsa devido as minhas boas notas, mas agora realmente chegou à hora de ir embora daqui.
Estou indo viver em um quarto e sala no centro da cidade, pago com uma pensão que eu vou passar a receber pela morte da mamãe e a pensão que meu pai ainda vai me pagar. Vou estudar em um colégio publico, podendo sair pra rua à hora que eu quiser, isso não é bom Sweet?
Me manda noticias suas pro endereço que esta no outro papel, é nele que eu vou morar, quem sabe, um dia você me visite. ”
Ela recebeu a carta, na realidade achara que o garoto nunca mais quis falar com ela. Ela esmigalhou o envelope enquanto abria e lia tudo com um certo sorriso torto no rosto pelo misto de noticias boas e ruins misturadas.
“Hey litte boy. Pois é, peço desculpas pelo sumiço. Acabei me atrapalhando com uma serie de coisas que aconteceram.
Minha mãe não teve mais como pagar uma professora particular pra mim e eu tive que voltar nas ultimas semanas pro colégio, minha vida ta um caos, mas acho que finalmente vou conseguir levar uma vida mais normal.
Acho que você também. Quem sabe não vamos estar no mesmo colégio?
Vou te mandar a carta do meu real endereço, mas, por favor, não venha sem avisar. E não esqueça de mim.”
O menino leu cada palavra atentamente, ele não tinha o que responder, se continuasse a alimentar o que sentia por ela mesmo sem a conhecer, ele iria bater na porta da casa dela sem avisar mesmo contra a vontade da garota.
Ela agora tinha quinze pra dezesseis anos, ele também.
As cartas voltaram a ser escassas, uma a cada três meses e olhe lá.
Ele ainda pensava que se conversasse muito com ela, iria até o endereço dela.
Ela, ganhara um carro, e um dia passeando pela cidade, parou em frente ao endereço que ele morava. Era um prédio de aproximadamente dez andares.
Ela sabia o numero do kit net em que ele ficava, mas não tinha nenhuma coragem de correr atrás.
Ela ligou o radio e tocava Usher, encorajada, desceu do carro e entregou um pacote ao porteiro com um papel em cima, pediu apenas pro moço entregar pro morador daquele apartamento.
O garoto chegou do trabalho – em um posto de gasolina – e pegou a delicada caixa azul na portaria, subindo rápido pro seu pequeno quartinho. Abriu a caixa e tinha uma carta dentro.
“Faz tempo que não nos comunicamos. Amanhã é meu aniversario, gostaria que nessa carta, você escrevesse tudo que sonha pra sua vida e coloque dentro dessa caixa, junto com uma coisa que seja muito importante pra você, muito mesmo. Tranque ela com um cadeado que só você tenha a chave e coloque a caixa na portaria do seu condomínio, o porteiro saberá o que fazer. Quando completarmos dezoito anos, finalmente seremos livres de verdade, e vamos abrir essas caixas. Guarde a chave!’’
Ele escreveu um papel com caligrafia desenhada, colocara nele todos os seus sonhos, seus projetos, como desejava sua vida em alguns anos. Vendo que estava extenso demais, parou por ali. Assinou a carta com todo o seu nome completo, pela primeira vez em uma carta designada a ela. Dentro da caixinha, ele colocou o papel bem dobrado, junto, uma foto sua quando criança e uma palheta de violão, seu companheiro de muitos anos.
Ela, em sua casa, fazia o mesmo que ele, escrevia todos os seus planos de uma vida melhor. Sua caixa era igual e dele, porem vermelha. Ela comprara um cadeado comum, sem medo, sabia que o garoto não ia arrombar a caixa. Ela sorriu quando terminou de escrever sua carta, assinando seu nome completo e colocou-a dentro da caixa. Junto, colocou uma pequena agendinha de quando criança e uma foto do seu pastor alemão, o companheiro de tantos anos, que não gostava muito dela, mas que hoje partira dessa pra melhor. Dentro, também, foi colocado um pingente com a inicial do seu nome, o colar ainda estava com ela, e ostentava a chave do cadeado que trancava sua caixa. Ela sorriu ao ver que o que estava fazendo era uma tremenda loucura.
Ela pegou o carro no outro dia e dirigiu até o endereço dele, parando em frente ao porteiro que logo a reconheceu.
– Vou levar esta, e esta fica. – A garota sorria, trocando a caixa azul pela vermelha e dando volta pra sua casa na mesma hora. Não queria ser vista.
Ele guardava a chave secretamente colada com uma fita adesiva atrás de uma foto sua com sua mãe e seu pai, a foto estava em um porta retrato ao lado de sua cama, ali, ela estava segura e ele nunca esqueceria.
Depois disso, a ultima vez que falara com o garoto, tinha quatro meses já. Ou melhor, o garoto falara com ela há quatro meses, e nunca mais respondera as cartas que ela seguiu mandando.
O astro pop Justin Bieber, idolatrado por mais de cinco milhos de beliebers loucas, estourara há não muito tempo. As musicas dele, várias endereçadas pra garotas. Porém, ele não confessava que havia uma garota especial, falava que as letras saiam. Mas de certa forma isso tocava o coração de Agatha.
Acontece que a mãe de Agatha, agora era a Personal Stiles do garoto, e agora a menina, já não morava mais na pacata cidadezinha, vivia na correria de Atlanta. Seu pai sim, esse hoje era aposentado e morava na casa em que ela antes vivia solitária.
Estavam no hotel Plaza em Nova York, sua mãe, Justin Bieber e Pattie Malette.
Tomavam café da manhã calmamente, ela com sua mãe em sua mesa, Justin com Pattie em outra.
O engraçado de tudo, é que a vida da garota mudou completamente quando ela passou a morar com a mãe do lado da casa do Bieber. Eles hoje eram amigos e viviam juntos. A mídia já nem os perseguia pois era tudo muito aberto.
O garoto misterioso que nunca mais respondera suas cartas, ainda guardava em cima do seu armário a caixinha vermelha lacradinha. Nunca tentara abrir pra ler o que a menina escrevera, mas morria de curiosidade, de saber o que continha ali, e de saber se ela ainda mantinha a caixa dele, lacrada ou não.
A caixa dela, em cima do armário dele, já estava empoeirada de não ser mexida por todos esses meses.
Ela tinha a caixa que ele guardara suas coisas embaixo de sua cama, estava dentro de uma sacola plástica sem nenhum vestígio de pó. Dentro dessa sacola, ainda tinha todas as cartas do garoto.
– Hey Agatha, piscina? – Justin disse, interrompendo os pensamentos da garota que lembrava do misterioso little boy enquanto descansava depois de comer.
– Claro. Vou me trocar. – Ela sorriu andando até uma de suas malas e tirando de dentro um biquíni. Justin estava sentado na sua cama, esperando a garota sair do banheiro. – Pronto. – Ela sorriu, saindo da porta do pequeno banheiro.
– Vamos então? – Ele sorria, na verdade ele controlara-se pra não deixar seu queixo cair. Ele a achava linda, mas não, simplesmente não poderia ter nada com ela, atrapalharia sua carreira e sim, ele era muito focado nisso. Muito mesmo.
E mesmo que ele quisesse, ela ainda mantinha sua cabeça no misterioso garoto. Nem o frenesi Justin Bieber fazia ela esquecer dos bons e vários momentos em que riu com o garoto, que chorou com ele, que teve os melhores momentos de sua vida, olhando pra um pedaço de papel.
Desceram ambos pelo elevador e passaram parte do dia na piscina. Mas o vôo de Justin saia as sete da noite e eles precisavam estar prontos pra sair.
Acontece que depois que a mãe de Agatha conseguiu esse emprego, aproveitou pra dar a filha a companhia do astro pop do momento e mais viagens por todos os lugares do mundo.
Os dias iam se passando. Agatha e Justin ficavam mais amigos conforme passavam mais tempo juntos.
O aniversario de dezessete anos dele chegou, a festa foi de arromba. Agatha bebera demais na festa do garoto. Foi escoltada por ele até o quarto dele, afinal, estavam na casa dele. Acabaram dormindo na mesma cama, abraçados.
Ela vestia uma camisa dele que servia de camisola nela. Ele usava apenas uma bermuda de malha.
Ela acordou assustada com a cabeça latejando. Aquilo era muito estranho pra ela.
Quem trocou as roupas dela? Onde ela estava? Tateando o lado na cama, ela viu ter alguém e deparou-se com o Justin assim que se virou, ele despertara.
– O que aconteceu aqui? – ela tinha o olhar preocupado nas pernas nuas.
– Você bebeu demais, eu te trouxe aqui pra cima. Você tomou um banho, trocou-se e adormeceu na minha cama. Eu não tinha outro lugar pra dormir. – Reclamou ele.
Mentira pura, ele tinha mais seis cômodos na casa que eram quartos.
Mas ela não ligou, só o fato de ele não ter mencionado que ambos ficaram ou até mais, tinham ido pra cama, já a deixava mais amena.
– Me empresta uma roupa? – Ela sorriu assim que levantou.
– Você fica linda quando acorda. – Ele não perdeu a oportunidade de fitar as pernas nuas da garota.
– Obrigado. – Ela disse, pegando de sua mão um jeans preto e vestindo ali mesmo.
Justin nem percebera, havia fechado os olhos sonolento e quanto os abriu, ela estava vestida. Ele ficou um tanto decepcionado. Mas realmente, ele poderia ter se aproveitado dela bêbada, mas não seria capaz de fazer isso com a garota que ele gostava. E nem tinha coragem, ela já havia lhe dito que amava outro cara, que ele sequer sabia o nome.
Mas nem ela sabia.
Ela deu um beijo no alto da testa de Justin que ainda estava deitado, havia levantado apenas pra pegar a calça pra garota. Ela saiu do quarto e foi pra sua casa, logo ao lado. Sua mãe não estava. Tomou um banho relaxado e deitou-se em sua cama vestindo uma camisola confortável. Adormeceu.
Mais alguns meses haviam se passado. Era então, o aniversario dela.
O garoto escrevia uma carta de parabéns pra ela sentado na cama de seu quarto. Enviou pro endereço de sempre, mas a carta foi recebida pelo pai da garota, que não a abriu, mas não a passou pra filha também. Então, o menino não obteve resposta da garota, ficando assim, decepcionado.
Ela, por sua vez, já não tinha mais esperanças de receber algo dele. Tampouco tinha esperanças de um dia encontrar ele pra abrir a caixa.
Escolheu por não fazer nada em especial no seu aniversario. Jantaram na casa do Bieber, um jantar especial oferecido por Pattie.
Ela acabou por ficar na casa do garoto, no mesmo quarto, na mesma cama. Apenas pra jogarem vídeo game até o dia amanhecer. Ele não tinha show nos próximos dois dias.
– Agatha, preciso falar com você. – Ele disse virando subitamente pra garota que estava ao seu lado sentada na cama. Ela vestia uma calça de suplex preta com um moletom vermelho de Justin que ficava gigante nela.
Ela havia ido só de regata pra lá, e esfriou. Ambos olhavam CSI e bebiam chocolate quente.
– Hum. – Ela murmurou olhando pra ele.
– Eu te amo. – Bieber acabara de se declarar.
– Hã? – Ela olhou espantada.
– Eu. Te. Amo. – Ele falou, pausadamente aproximando seu rosto do rosto da garota que tremia e não sabia o que fazer.
– Não. – Ela parou Justin, colocando uma das mãos em seu peito, impedindo-o de chegar perto dela.
– Porque? – O olhar aflito dele transmitia um sentimento que não havia como explicar.
– Eu... ainda o amo. – Ela sorriu tímida, com medo de ter ferido o coração de Justin, mas mesmo assim sendo sincera em relação ao seu garoto misterioso.
– Tudo bem. – Ele baixara a cabeça, segurando algumas lagrimas.
Acontece que Justin nunca tinha levado um fora depois da fama.
Acontece que Agatha nunca contou das cartas pra Justin. Que achava que ela amava simplesmente um garoto que conheceu na escola. Ou pelo menos, essa era a versão da historia dela.
Enquanto isso, o misterioso garoto sentia seu desapego ser mais forte a cada dia. Mantinha em segredo pra todos o seu passado com a sua Sweet. Mas aos poucos, conseguia esquecer ela lentamente.
Justin ficou tão chateado, que saiu do próprio quarto em silencio e foi dormir em um quarto de hospedes. Sem Justin saber, Agatha voltou pra sua casa triste, não queria magoar o garoto que sempre fora tão querido com ela por todo esse tempo em que conviviam. Eram melhores amigos. Enquanto ela não tinha a certeza de que nunca mais ia falar com o seu Little Boy.
Três meses transcorreram e Justin nunca mais tentou nada com Agatha, mas a amizade não era mais a mesma.
Eles ainda eram melhores amigos um do outro. Mas ela tinha vergonha de olhar pra ele e ele sentia uma enorme tristeza por não ter ela com ele.
Em uma semana de folga ela foi visitar o pai. Achando então uma carta em cima de sua cama. Seu pai alegou ter esquecido de dizer a filha.
“Hey Sweet. Dezessete anos hein? Eu não esqueci disso. Apenas, estou com a vida corrida e não estou tendo como te escrever com freqüência. Alias, você nem me responde. Estou te mandando essa carta sem endereço justamente pra não obter resposta nela.
Se possível, preferia que você se comunicasse comigo por e-mail. Eu abrirei todos os dias a caixa pra saber se tem algo relacionado a você.
Fiz um e-mail especial pra isso. Precisamos combinar a data pra abrirmos as caixinhas.
Espero que tenhas o melhor aniversario de sua vida, repleto de amor e carinho. Porque é o que eu tenho a lhe dar nesse aniversario, mesmo que isso venha por meio de um pedaço de papel.”
A caligrafia borrada mostrava que tudo havia sido escrito muito rápido. Não havia endereço, apenas um e-mail no fim da pagina. Ela guardou a carta na bolsa. tanto tempo depois, ela queria responder, mas não tinha pressa, queria aproveitar os dias com o pai.
Enquanto isso, o garoto ainda abria o e-mail diariamente, esperançoso. Durante os noventa dias desde que mandara a carta, abria a caixa e deparava-se com ela vazia, todos os dias.
Ele estava em seu quarto, quase desistindo de abrir o maldito e-mail pra sempre quando deparou-se com uma nova mensagem na caixa de entrada. Seus olhos brilharam. Quase quatro meses depois, ela havia lido!
“Hey Little boy, desculpa a demora. Eu não estou mais no mesmo endereço, por isso demorei a ter contato com a carta. Mas hoje pude responder ela.
Agradeço por todos os seus desejos pro meu aniversário. Logo estarão chegando os seus dezoito, hein! E depois o meu.
Você ainda tem aquela caixa? A minha está guardada. E junto com ela, segredos e coisas que eu guardei durante todos esses anos só pra mim.
Se você soubesse a falta que me faz todas as semanas em que passamos incomunicáveis.
Por favor, responda. Espero que este e-mail não chegue até você, e que você não tenha desistido de vez e abrir esta caixa de e-mail.
Fiz esse e-mail secretinho, e farei o mesmo, abri-lo-ei diariamente pra saber se tem noticias suas.
Com carinho. A. W. H.”
Ele lia todas aquelas palavras perplexo em frente à tela plana de seu notebook com capa azul. Ela não o esquecera. Ela ainda tinha a caixa.
“Sweet, que felicidade tanto tempo depois poder falar com você de novo. Eu tenho a caixa ainda sim, estou olhando pra ela nesse exato momento.
Eu, estou sem palavras, respondi pra você saber que eu não esqueci de você, e que entrava ainda veemente nessa caixa de entrada.
Quando eu estiver mais calmo eu escreverei com calma, meu coração quer pular pra fora do peito!
Se cuida.”
Ele clicou no enviar com tanta vontade, que deveria ter ido no mínimo umas três copias iguais pra caixa de entrada dela.
Ela estava deitada na cama dela, seu pai lhe fazia cafuné.
Justin estava deitado em sua cama, sentindo falta da amiga, era seu ultimo dia longe de Agatha.
O misterioso garoto estava então, em sua casa.
Ela voltou pra Atlanta, sua vida havia dado um giro de 360º desde a carta que leu, foi na tarde em que chegou que recebeu mais um e-mail, mandou outro. E assim, durante os meses que foram se passando, no meio das turnês, do avião, ou seja lá onde fosse, ela podia se comunicar com ele. E ele respondia ela o mais rápido que podia.
Justin sentia-se sobrecarregado por tudo que fazia, e seu coração ainda não se recuperara totalmente do fora que levou de Agatha.
Mesmo cinco meses depois, ele não conseguia esquecer ela.
Os, agora, e-mails vinham com mais freqüência já que estava se aproximando o aniversario do Little Boy da Agatha.
Chovia, o vento estava forte, o aniversario do garoto já passara, o dela, estava se aproximando, ela estava com o notebook no colo, sentada no sofá da sala tapada com uma coberta, um alerta de e-mail subiu no canto da tela.
“A hora está chegando, quem diria, cinco anos depois.
Onde vamos abrir as caixas?”
Ela prontificadamente respondeu.
“Na praça da ponte Golden Gate?”
A resposta não demorou.
“Fechado!
Em quatro dias, à noite, ali.”
O coração dela acelerou, o medo dela é de todos esses anos nutrir um amor por uma pessoa que não fosse nada daquilo que ela esperava.
Encorajou-se pra responder.
“Estarei lá, se cuide.”
Respirou fundo quando clicou no enviar.
Os dois primeiros dias chegaram rápido, era seu aniversario. Justin passou o dia com ela. Ele ainda a amava, mas conseguira tirar ela as cabeça por um tempo. Depois de um ano, o clima era menos tenso.
Ela acordou no dia depois do seu aniversario comprando as passagens de volta pra Califórnia. Foi até a casa de Justin e passou aquela tarde com ele.
Não contou nada ao amigo, ele poderia achar perigosa a loucura dela.
O dia do embarque era aquele, ela acordou cedo e foi pro aeroporto, disse a sua mãe que visitaria seu pai, pra que ela não ficasse preocupada.
Desembarcou na Califórnia e foi direto em sua antiga casa. Em uma mochila, carregava apenas a caixa do garoto, o colar com sua chave e uma muda de roupa, e dinheiro, claro.
A noite começou a cair, ela pegou o carro do pai emprestado e foi em direção a ponte.
Ele já estava sentado no gramado verde oculto pelo céu escuro, a luz da lua iluminava a água que passava por debaixo da ponte. Ele podia ver a ponte iluminada a poucos metros de onde estava sentado. Seu corpo formigava de ansiedade. Ele tinha a caixa em suas mãos, já limpa do pó que acumulara todo esse tempo. A chave da caixa dela estava agora em seu chaveiro.
Ela desceu do carro, sentiu borboletas em seu estomago. Começou a andar pelo corredor iluminado onde ficava a praça. Olhava pra todos os lados e não o via.
Ele estava sentado pensando que ela não mais iria.
Ela deu mais alguns passos e pode ter certeza, ele estava lá. Sentado no gramado com o corpo curvado pra frente. Usava um moletom roxo, o capuz cobria sua cabeça, não estava calor, mas também não frio. Ela vestia um casaco de malha por cima de uma blusinha lisa da mangas longas. Um jeans e um all star.
Ela não o via, só o moletom e o jeans que usava.
Ela saiu da pequena passarela onde caminhava e pisou no gramado, deixando seus passos inaudíveis.
Aproximou-se lentamente dele, ele estava distraído com as luzes da ponte, e então, sorrateiramente tapou-lhe os olhos.
– Oi. – Ela sorria sem parar. – Adivinha quem é?
É claro que ele não saberia quem era.
– Agatha? – A voz perguntava, a principio ela assustou-se ao ouvir seu nome apenas.
– Justin? – Ela soltou as mãos em direção ao chão, olhando fixo em seus olhos.
– Agatha? – Ele ainda perguntou se era ela, apenas pra confirmar.
– Justin? – Ela chamou por seu nome. Ele sorriu, um riso abafado.
– O que você está fazendo aqui? – Ela perguntava, talvez sem entender.
– Sweet? – Ele perguntou, baixinho.
– Little boy? – Ela olhou pro chão, e logo viu a caixa em suas mãos.
Um silencio enorme predominou. Ela não acreditava que Justin era o seu garoto. Ele, não parava de pensar nem por um segundo que a sua felicidade estava completa. Ou não.
– Eu não sei o que falar. – Ela disse, incrédula.
– Acho que devemos muitas explicações um pro outro. – Ele disse, parecia desapontado.
Acontece que todos esses anos, ele a amou, mas não acreditava em um dia lhe conhecer, e hoje ela estava lá, a Agatha que ele sempre amou.
– Sua mãe não havia morrido? – Ela disse, foi a primeira coisa que pode lhe perguntar.
– E morreu. Pattie é uma tia. – Ele sorriu fraco. – Apenas, não seria bom isso cair na mídia.
– Olha, Justin... – Ela deu inicio a um assunto, mas ele não lhe permitiu concluir.
– Não fala nada. – Ele colou o dedo indicador aos lábios dela. – Vamos abrir as caixas? – Ele parou, pensativo. – Isso se você ainda quiser, é claro. – Ele sorriu.
E não, ela não resistia ao seu sorriso.
– Vamos, primeiro você. – Ela sorriu. Ele entregou a chave pra ela, tirando-a de seu chaveiro.
Ela pegou, encostando sua mão a dele. Ele parecia não querer largar.
Ela tirou o colar do pescoço, pegando a chave pendurada nele e estendendo a mão até ele.
Ela girou a chave e destravou o cadeado da caixa azul.
Ele girou a chave destravando o cadeado da caixa vermelha.
Ele tirou de dentro da caixa uma foto de seu cachorro, ficou por um tempo olhando-a.
– Esse é o que não gostava muito de você? – Ele sorriu.
– É! – Ela deu uma enorme gargalhada. Ele ficou feliz ao ouvir sua risada gostosa. – Aliás, que fofo você era Jus!
– Você já viu minhas fotos quando pequeno. – Ele rolou os olhos.
– Verdade! - A garota confirmou, ele riu.
Ele ficou por um tempo olhando o pingente com a letra que brilhava mesmo depois de todo esse tempo dentro da caixa de fundo escuro.
Ele pegou o pingente e o encaixou no colar dela.
– Esse era o lugar certo? – Ele sorriu, ela apenas afirmou com a cabeça, fechando os olhos quando ele passou a corrente por seu pescoço e a colocou nela.
– Você conseguiu o que queria. – Ela pegou a palheta, ele apenas sorriu, olhando pra primeira palheta que ganhara na vida.
– Tem as cartas, preparado? – Ela sorriu, tirando o papel da caixa.
Ele tirou o papel também, então, ela sorriu.
Ambos estavam nervosos, demais.
– Eu vou me sentar ali pra ler ok? Preciso ir com calma, assimilar tudo. – Ela sorriu e depositou um beijo na bochecha do amigo.
– Estarei ali no banco. – Ele disse, levantando do chão e levando a caixa até o banco.
Ela abriu a carta dele:
“Eu ainda não sei bem o que falar, quando abrirmos essas caixas novamente, já irá fazer cinco anos de amizade.
Mas por enquanto fazem três.
O que aconteceu nesses três anos em que nos conhecemos?
Eu recebi um dia uma carta, que nem ao menos sei como ela foi parar na minha caixa de correspondência no internato.
Quando eu a abri, senti uma necessidade grande de responder. A minha vida era exatamente aquilo que eu havia lhe dito um dia, meus pais brigavam e o resultado disso foi eu indo parar em um internato.
Quando mamãe morreu, meu pai foi embora e eu me senti mais sozinho do que nunca. Porém, suas cartas me animaram muito, elas me consolavam de todas as coisas ruins, as palavras que li de ti, valeram muito e me influenciaram muito em quem eu sou hoje.
Eu tive que morar sozinho, trabalhei por um bom tempo em um restaurante, depois em um posto de gasolina na conveniência do posto.
Meu cabelo era curto, bem mais claro do que é hoje, minhas roupas eram simples e eu passava despercebido na rua. Hoje as coisas não funcionam bem assim.
Eu estava em casa, aquele pequeno kit net onde você deixou a caixa, era noite e eu estava com o meu violão em punho, dedilhava algumas notas que não sabia onde dariam, como de costume, liguei meu gravador e comecei a cantarolar algumas coisas sobre você.
É, sobre você pequena.
Just a fraction of your love
Fills the air
And I fall in love with you
All over again, oh
You're the light that feeds the sun
In my world
I'd face a thousand years of pain
For my girl
Out of all the things in life
That I could fear
The only thing that would hurt me
Is if you weren't here
(Apenas uma fração de seu amor preenche o ar,
E eu me apaixono por você,
Novamente, oh
Você é a luz que alimenta o sol,
No meu mundo,
Eu enfrentei mil anos de dor pela minha garota.
Tantas coisas na vida, que eu poderia temer
A única coisa que me machucaria, uh
Seria você não estar aqui , woah)
As notas foram saindo, junto com uma melodia. Como um bobo apaixonado, Common Denominator foi parar na internet e teve milhões de views.
Um pouco interesseira, a irmã da mamãe, tia Pattie, que estava na pindaíba, se ofereceu pra me ajudar com alguns shows que surgiram na minha cidade.
Eu ainda faço shows aqui na cidade, mas atualmente ando um pouco sem tempo, estou tratando de alguns shows pra fora daqui.
Quem sabe um dia meu nome seja conhecido por todos, quem sabe um dia, eu apareça na televisão e você me veja.
E então, finalmente eu posso agradecer por meu o meu common denominator e agradecer acima de tudo, porque foi pelo amor que eu sinto por você, que eu cheguei aonde estou, e pretendo ir mais longe ainda.
Com muito amor e carinho.
Justin Drew Bieber. “
A garota olhava pra folha de papel ainda sem crer que o garoto que esperou todos esses anos, hoje era seu vizinho, que eles tinham uma amizade linda. As lagrimas já estavam formadas em suas orbes. Ela virou a folha, que continham as seguintes palavras.
“Desejos do J. D. B.
1 – Sair dessa cidade pra uma maior.
2 – Poder fazer o que eu amo e mostrar isso pro mundo. A minha musica.
3 – Ouvir meu nome ser falado nas rádios e revistas. E ir na televisão.
4 – Fazer dezoito anos logo, e poder conhecer a misteriosa Sweet, a garota que eu aprendi a amar, mesmo sem ao menos saber o nome.
5 – Poder morar em uma boa casa, ter meus armários cheios e conhecer o mundo.
6 – Abraçar a minha Sweet e agradecer por ela ser tão importante na minha vida.
7 – Deixar de ser um bocó e enfim dizer a ela, que eu a amo. E que não me importa como ela for, suas características, raça, o que faz da vida ou onde mora. Eu a amo pelo que ela é, não pelo que ela aparenta. E eu gostaria que ela soubesse isso.
8 – Gostaria de rever meu pai.
9 – Queria ter um cachorro, que mesmo que me odeie, me faça companhia.
10 – Conhecer o Brasil.
11 – Entrar na fabrica de M&M.
12 – Ter um bom motivo pra SORRIR. Esse motivo tem nome, eu apenas, não sei. “
Ela acabara de ler tudo que ele escreveu. Sabendo que em muitas coisas ele se referia a ela. Olhou atenta pra direção onde Justin estava sentado, ele ainda encarava a folha de papel, que ela lembrara bem que o texto nem era tão grande.
Ele lia atentamente.
“Hey Little Boy, que hoje já nao é mais um little. É um boy.
Okay, sou péssima em trocadilhos.
Quem sou eu?
Filha de um palestrante e de uma estilista.
Vivi muito tempo sozinha até conhecer uma pessoa que mudou totalmente minha vida, você. Eu me sentia sozinha, mas você, mesmo sem nunca ter me visto, mandou pra longe este sentimento ruim que eu tinha de solidão.
Meu cachorro morreu, ele não me amava mesmo, mas eu o amava. Quem me deu a maior força? Você.
Hoje, mamãe voltou pra casa, disse que tirou uma temporada de férias pra ficar comigo.
Parar de estudar em casa e ir pro colégio foi uma mudança radical, fiz amigos lá, deixando a solidão um pouco pra lá. Mas jamais, esqueci que você é e sempre foi meu melhor amigo.
Acho que eu conto os segundos pra te ver na minha frente.
Uma amizade assim é normal? Eu me pergunto dia e noite isso. Mas, a única coisa que eu sei, que ela é mais forte que qualquer amizade por ai no mundo.
Se eu pudesse listar cinco coisas que eu queria fazer na minha vida, eis elas:
1; Morar em uma cidade maior, conhecer parte do mundo e fazer uma faculdade.
2; Passar mais tempo com a mamãe e o papai, ter um cachorro que me ame.
3; Conhecer a pessoa que eu mais me identifico no mundo. O meu misterioso amigo.
4; Quem sabe um dia, confessar-lhe que eu o amo, verdadeiramente.
5; Ser feliz, apenas ser feliz. Aonde quer que seja, com quem quer que seja. E finalmente poder dizer que eu, a garota misteriosa tem um nome.
Agatha Wood Hughes.”
Ele sorriu ao ler o final da carta e lentamente a dobrou e colocou na caixa. E a caixa em uma sacola. Levantou-se do banco e viu a garota levantar também do lado em que ela estava.
Ela tinha acabado de guardar as cartas de Justin na caixa.
Ele colocou as mãos na barra do moletom, o ajeitando em seu corpo. Ela levantou a cabeça e pode olhar pra ele finalmente.
Ela deus alguns lentos passos pra frente. Ele, deu dois largos passos pra frente. A distancia ainda era bem significativa.
Ela sorriu, estava tímida, mas feliz por conhecer, depois de tantos anos o misterioso dono das cartas.
Ele abriu os braços sério, apreensivo com o que a garota iria fazer. Ela correu pros seus braços. Ele sentiu o calor do corpo da menina perto dele, ele,passou os braços por seus ombros, enquanto ela segurava sua cintura e afundava sua cabeça na curva entre seu ombro e seu pescoço.
Ela pensava no quão hipnotizante era o perfume dele. Ele pensava no quão era bom saber que a garota que ele gostava, também o amava.
Aos poucos, ela foi se afastando dele lentamente. Mas não foi tão longe, pois ele prendeu sua cintura com ternura. Ela olhava em seus olhos cor de mel e tinha a sensação de borboletas voarem em seu estomago.
Ele olhava em seus olhos negros e tinha certeza de que ele devia muito a ela nessa jornada dele.
Os seus rostos foram se aproximando, as respirações estavam misturadas, a dele com a dela. Ela podia sentir seu hálito de menta perto de sua boca e narinas. Ele, podia sentir o calor da menina perto dele.
Ele aproximou-se mais, colando seu lábio ao canto dos lábios da garota.
Ela respirou fundo, pronta pra se entregar ao amor dele.
Seus lábios escorregaram em direção aos dela e um longo selinho foi dado.
Ela pensava no quão bom era conhecer ele, não por ele ser seu melhor amigo ou por ser o Bieber, da Bieber fever. Era bom porque desde os treze anos ela amava aquele garoto.
Ele sentia o estomago formigando. Por vezes, lutou pra esquecer a garota, mas fora em vão. Sempre lutou por esse amor que ele nem sabia a intensidade que realmente tinha.
E era intenso, por demais.
Suas línguas se chocaram, ela sentiu o gosto bom de Justin, ele segurou sua cintura com mais vontade. Suas línguas brincavam como se fosse ao som de uma doce melodia. O beijo foi terminado em um longo selinho, da maneira que começou.
Ela tinha certeza que era ele. Apenas ele.
Ele tinha certeza que ela era o seu Common Denominator.
Feito por: Lovesick

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